Socioambiental

A importância de uniformizar as métricas ESG

Executivos do Itaú Unibanco e do Grupo Simpar (JSL/Movida/Vamos) destacaram, em workshop promovido pela Abrasca, que uniformização dará mais consistência ao relato das empresas

A Abrasca realizou, no dia 26 de maio de 2021, workshop sobre uniformização de métricas ESG, evento que promoveu uma reflexão sobre como os indicadores socioambientais se transformaram em fatores de criação de valor para as companhias. Geraldo Soares, superintendente de RI do Itaú Unibanco, relatou que cresceu de forma exponencial a exigência dos investidores sobre informações ESG. Falou também sobre a importância de uma métrica para facilitar os relatos das empresas.

Patrícia Pereira, gerente de Sustentabilidade do Grupo Simpar, abordou os planos de sustentabilidade do grupo, que anunciou recentemente o compromisso de reduzir em 15% as emissões de carbono até 2030. Os debates foram mediados por Rafael Mingone, executivo de Relações com Investidores da Gerdau e membro da Comissão de Mercado de Capitais (COMEC) da Abrasca.

ESG: base para estratégias corporativas

Na abertura do evento, o presidente executivo da Abrasca, Eduardo Lucano da Ponte, destacou que ESG é um tema relevante na agenda da entidade. “No início do mês realizamos um evento sobre bônus ESG e hoje estamos reunidos para debater métricas de sustentabilidade”, acentuou. Segundo ele, o crescimento sustentável se tornou elemento chave nas estratégias corporativas. Por isso, muitas empresas buscam avaliar seu desempenho com base no tripé ambiental, econômico e social, três eixos que formam a base da sigla em inglês ESG (Environmental, Social and Governance).

O executivo explicou que uma corporação, ao mensurar um programa de sustentabilidade, pode integrar esses três eixos ao processo de investimento e contribuir para o valor de mercado da própria companhia. “Ou seja, os índices ESG são fatores de criação de valor. No entanto, diante da proliferação de indicadores, há necessidade de uniformização dessas métricas para que as corporações possam utilizá-los com eficiência na definição de estratégia de sustentabilidade”, pontuou.

Antes de iniciar as apresentações, Rafael Mingone destacou a importância do tema, que já faz parte da pauta da Comissão de Mercado de Capitais (COMEC) da Abrasca. Lembrou que no ano passado foi criado um Grupo de Trabalho para analisar a proposta da Fundação IFRS de criar uma norma específica para uniformização das métricas de sustentabilidade.

Citou que hoje existem mais de 600 métricas ESG no mundo, o que eleva ainda mais o custo de observância das companhias abertas. “Portanto, a mediação dos impactos ESG precisa ser feito, porém dentro de um parâmetro que facilite a utilização dos indicadores nas demonstrações financeiras, como propõe a Fundação IFRS”, exemplificou.

Métricas ajudam executivos a tomar decisões

Patrícia Pereira disse que realmente existe um grande número de índices e que seria de grande valia estabelecer os que são relevantes. “Isso facilitaria medir resultados de ações de sustentabilidade e dar transparência a essas informações para os stakeholders”. A gerente fez um relato do processo de incorporação de projetos ESG na Simpar, grupo que controla seis empresas independentes, entre elas a JSL e a Movida. Os primeiros passos, explicou, foram identificar materialidades, definir um caminho e estabelecer um programa de mudanças em cada empresa do grupo.

Neste trabalho, contou Patrícia, foi revisto o relatório de impacto climático. “Analisamos os dados com base em outros indicadores para avaliar as emissões do grupo em relação a de outras empresas do setor. Com base nessas informações foi elaborado um plano estratégico de longo prazo e uma matriz de risco climático. Recentemente a empresa anunciou o compromisso de reduzir em 15% a emissão de poluentes até 2030”, ratificou.

Patrícia alertou que as empresas precisam se preparar para trabalhar com base em crescimento sustentável. Segundo ela, isso se tornou uma exigência dos investidores que querem dados detalhados sobre resultados e metas socioambientais. Hoje na Simpar existem cinco comitês de sustentabilidade que se reúnem mensalmente para discutir metas e resultados com envolvimento das áreas de RI e contabilidade. “Todas essas informações são repassadas para os executivos como forma de auxiliar na tomada de decisões”, destacou.

Crescimento exponencial da demanda por informações ESG

A exigência pelo mercado de informação sobre sustentabilidade vinha em processo crescente nos últimos anos e se acentuou com a pandemia da Covid-19, disse Geraldo Soares. Segundo ele, cada vez mais os grandes investidores estão tomando decisões com base nessas informações, como vem alertando há algum tempo Larry Fink, CEO da BlackRock, uma das maiores gestoras de ativos no mundo. Ele recomenda às empresas serem precisas e detalhadas nas informações ESG em seus relatórios.

Geraldo Soares também percebeu que o volume de pedido de informações do mercado financeiro cresceu de forma exponencial e as empresas precisam estar atentas a este processo. Ele disse que, em 2020, só os fundos exclusivamente ESG aplicaram cerca de US$ 51 bilhões contra US$ 20 bilhões em 2019. Nos primeiros quatro meses deste ano as aplicações desses fundos já ultrapassaram o resultado de 2019 e deve superar o montante do ano passado. Para o superintendente do Itaú, se forem consideradas as aplicações de fundos que utilizam algum critério ESG a quantia deve chegar a um trilhão de dólares, o que justifica a atenção maior das empresas por governança e crescimento sustentável.

Na avaliação de Geraldo Soares, as empresas precisam incorporar a cultura ESG em seus negócios, pois estamos diante de um processo irreversível. Destacou também que cada setor tem suas materialidades socioambientais específicas, que precisam ser identificadas e incorporadas na definição de um plano estratégico.

O superintendente do Itaú disse ainda que está ocorrendo atualmente no mundo uma busca pela padronização das diversas métricas ESG. Este processo permitirá às empresas apresentarem relatos mais eficientes e focados no que é relevante para os investidores.

Destacou também a audiência pública realizada pela Fundação IFRS para saber se a instituição deveria incorporar informações ESG nas demonstrações financeiras. Para Geraldo, se a medida for adotada será um grande passo. “Esses dados reunidos de forma estruturada poderão ser auditados e permitir comparação, o que será de grande valor para empresas e acionistas”, enalteceu.
 

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